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Entrevista Revista Encarte de outubro 2015




1 - É natural da Argentina?

Sou natural de Buenos Aires mas desde muito cedo (já com 14 anos) soube que queria falar e escrever português. Tinha um fascínio, irrefletido na altura, pela língua e pela literatura em LP, que conheci sobretudo através de autores brasileiros.

2- O que a motivou a assumir o Leitorado de Português no Instituto de Ensino Superior em Línguas Vivas 'Juan Ramon Fernández'?

A motivação foi sempre, e sobretudo, a minha paixão pela língua portuguesa.

Com 21 anos ganhei o Prémio da Embaixada do Brasil em Buenos Aires pela média dos três anos de Curso de Língua e Cultura do outrora Centro de Estudos Brasileiros. Pouco tempo depois, formei-me como Professora de Português e fui imediatamente viver e continuar os meus estudos em Portugal, como bolseira do Camões I.P.

A essa altura, já sabia não apenas que queria ser portuguesa como também que queria ensinar português. E tinha iniciado um processo de “despaisamento”: tinha decidido falar sem sotaque estrangeiro, estudar numa universidade portuguesa e até escrever um livro sobre a língua portuguesa, o que veio a acontecer mais tarde, com a publicação, pelo Ministério da Educação, da minha Dissertação de Mestrado em Linguística Portuguesa.

Depois do mestrado, fiquei sempre colocada como professora no grupo 350, de Espanhol, e a desmotivação começou a pesar. Percebi que em Portugal iria ser impossível ensinar português dada a situação do mercado de trabalho. Foi então que decidi desafiar os meus limites e concorrer para o lugar de Leitor do Camões I.P., com todos os riscos que isso implicava: podia não obter credibilidade devido às minhas origens.

Concorri, apesar disso, pela primeira vez, em 2010, e obtive a segunda melhor nota a nível nacional no exame de conhecimentos. Fiquei muito motivada com o resultado mas como fui colocada em Caracas, decidi esperar por Buenos Aires, que representava um desafio ainda maior: ser portuguesa na cidade da minha naturalidade.


2 - Quantos estudantes aprendem Português nessa universidade? Quantos professores há?

No IES en Lenguas Vivas “Juan Ramón Fernández” há dois cursos superiores, que formam “Professores em Português” e “Tradutores em Português”, ambos de 4 anos, e cursos livres à comunidade (chamados AENS), divididos por 4 níveis.

De acordo com as informações de setembro de 2015, inscreveram-se para o curso de “Professor em Português” 141 alunos e para o de “Tradutor em Português”, 94.

Nos cursos livres, estão atualmente inscritas 94 pessoas: 51 no nível I, 20 no nível II, 11 no nível III e 12 no nível IV.

Há 68 professores no curso de “Professor” e 23 no de “Tradutor”.


3 - Quais os desafios com que se deparou ao assumir o Leitorado?

O maior desafio pessoal foi sempre o da credibilidade. Convencer os argentinos de que eu tinha a mesma legitimidade e competências que qualquer leitor português de origem, não foi fácil. Mas com trabalho consistente e muita personalidade, isso foi possível e hoje o leitorado é muito dinâmico e a participação das pessoas cada vez mais importante.

O maior desafio da missão na Argentina é, a meu ver, avançar com determinação na consciencialização local para uma visão da língua portuguesa como sendo um poderoso laço entre os povos dos vários países que a falam e que a sentem como sua.

Da mesma forma que os linguistas estão divididos entre os que acham que o português de Portugal e o português do Brasil são línguas diferentes e os que acham que constituem variedades bastante distanciadas dentro de uma mesma língua, há um “lobbie” bastante forte neste país que divide os que entendem o contacto com a diversidade como sendo determinante para o enriquecimento linguístico e cultural e os que esgotam a interpretação da língua na simples descrição do seu sistema linguístico.


5 - Descreva projetos/iniciativas que desenvolveu.

O panorama do Leitorado à minha chegada era o de um espaço vocacionado sobretudo para o IES en Lenguas Vivas “Juan Ramón Fernández”, com um nível de presença da comunidade académica nas iniciativas que teimava em não crescer.

A prioridade foi então alargar o plano de ação geral a outras instituições e aos vários níveis de ensino da Língua Portuguesa na Argentina: básico, secundário, superior e formação para adultos.

Nesse contexto, todas as iniciativas visaram estabelecer contactos de colaboração que permitissem chegar junto de instituições dos vários níveis de ensino cujo número de estudantes fosse significativo, não apenas na cidade de Buenos Aires mas também nas restantes províncias deste país.

Foi assim que se integraram o Instituto Los Ángeles – primeira instituição argentina de Ensino Especial que forma crianças, jovens e adultos com Necessidades Educativas Especiais e confere habilitações ao nível do ensino básico, secundário, técnico-profissional e formação para adultos, que tem o Português como LE 1; O Centro de Formação Profissional nro. 23, da Asociación del Magisterio de Enseñanza Técnica - A.M.E.T.- cuja oferta formativa inclui 3 níveis de PLE no acesso a habilitação escolar e profissional, permitindo potenciar condições de empregabilidade e certificar competências adquiridas ao longo da vida; a Escuela Normal Superior en Lenguas Vivas “Sofía E. B. de Spangenberg”, instituição homóloga do IES en LV “Juan Ramón Fernández” e com a mesma oferta formativa “Professor e Tradutor em Português”, a UNER – Universidade de Entre Rios, no interior da Argentina, que possui uma “Licenciatura em Português” e mais de 50 alunos a frequentar o curso.

Temos desenvolvido diversas atividades com e nestas instituições, criámos uma página web www.clpcamoes.com.ar para divulgação e apresentação do nosso projeto e estamos a preparar um curso de apoio aos exames do CAPLE – que ministramos anualmente -, com bastante significado para os candidatos que pretendem certificação de conhecimentos e obtenção de nacionalidade portuguesa.


6 - Tem aumentado ou diminuído o número de alunos e o interesse em aprender Português?

O estabelecimento do MERCOSUL ditou o facto de muitos argentinos começarem a optar por aprender português nos anos 90. Mas este fenómeno viu-se travado pela profunda crise económica do país em 2001.

A partir de 2009, porém, com a progressiva recuperação da economia, a importância da Língua Portuguesa foi de tal ordem que o poder político produziu legislação destinada a promover o ensino da LP nas escolas básicas e secundárias.

Foi promulgada, em janeiro de 2009, uma lei que determina que "todas as escolas secundárias do sistema educativo nacional [] deverão incluir de forma obrigatória uma proposta curricular para o ensino da LP como LE" e "no caso das escolas da fronteira com o Brasil, corresponderá a inclusão a partir do nível básico". E inclusivamente “os estudantes que tenham completado a proposta curricular poderão aceder a uma certificação que acredite níveis de competência no uso da LP”.


7 - No seu ponto de vista, que alcance poderá ter futuramente, o ensino do Português a nível universitário, na Argentina?

Penso que à medida que aumentar o nro. de estudantes nos níveis iniciais e secundários irá forçosamente aumentar a procura de cursos virados para o estudo da língua portuguesa. Essa é a minha convicção e daí o alargamento do plano de ação que tenho proposto para este Leitorado.